O
núcleo inicial da povoação surgiu no fim do século XVII
ao redor das roças de Bento Rodrigues Caldeira, com o
nome de Porto de Guayapacaré. Em 1705, tornou-se Nossa
Senhora da Piedade após a construção da capela da cidade
à Santa de mesmo nome feita com doações de Bento Rodrigues
Caldeira, João Bosco de Almeida e Pedro da Costa Colaço.
Tornou-se freguesia em 1718 e foi elevada à categoria
de Vila em 14 de novembro de 1788, com o nome de Lorena
por decreto do Capitão-General Bernardo José de Lorena,
então governador de São Paulo. A Vila de 1788 tornou-se
cidade em 1856. Na década anterior havia tomado parte,
ao lado de Silveiras, na Revolução Liberal de 1842, dominada
pelo Duque de Caxias. Passara, então, a pertencer à província
do Rio de Janeiro, castigo que durou pouco tempo, pois
já no ano seguinte voltou à província de São Paulo.
Lorena, por sua vez, vinte e oito anos depois de criado
seu município, sofreu seu primeiro desmembramento: em
1816, Areias se emancipava, levando consigo todas as terras
hoje pertencentes a Areias, Bananal, Silveiras, Queluz,
São José do Barreiro e Lavrinhas, num total de 2487 km²,
ou seja, uma área correspondente a dois terços da área
original do município lorenense. E daquilo que então lhe
restou, Lorena ainda veio a perder, mais tarde, Cruzeiro,
em 1871; Cachoeira Paulista em 1880 e Piquete em 1891.
O povoado nasceu como ponto de apoio das expedições bandeirantes
que iam a Minas Gerais à procura de ouro. No século XIX.
Em 1937 a cidade torna-se sede de bispado, com a criação
da diocese de Lorena, que abrange 11 municípios: os dez
em que se dividiu o originário e mais o de Cunha.
Lorena desenvolveu-se com a cultura de cana-de-açúcar
e do café. Atualmente a principal atividade econômica
do município é a pecuária, especialmente a leiteira.
Brasão
Brasão
de Lorena
Evoca
os principais fatos de Lorena, a antiga aldeia de Guaypacaré,
à margem do Paraíba, junto as roças de Bento Rodrigues,
onde os bandeirantes atravessavam o grande rio, em demanda
da Mantiqueira e das terras dos "Cataguás" hoje
Minas Gerais.
Este fato é simbolizado pela peça principal do escudo:
a barca, ao natural, sobre um rio prata, em campo azul.
No alto do brasão, firmados em chefe, aparecem cinco escudetes,
dos quais o terceiro se avantaja dos demais. É este o
do Conde de Sarzedas, Bernardo José de Lorena que, sendo
capitão general de São Paulo, deu à Guaypacaré o predicamento
de Vila, sob o nome de Lorena.
Os dois primeiros escudetes (os de destra) trazem a flor
de lis e a cruz, atributos da velha heráldica portuguesa,
caracterizadores patronímicos Rodrigues e Pereira, relembram
os primeiros povoadores das terras do atual município,
Bento Rodrigues e João Almeida Pereira; os dois de senestra
rememoram com as suas arruelas e a sua esfera dos escudos
dos Castros e Fialhos a ação civilizadora de povoadores
iminentes da região: os capitães-móres Manoel Pereira
de Castro e Domingos Antunes Fialho.
Do escudo central, brasão do Conde de Sarzedas, pende
de uma laçaria e de um anel a cruz heráldica chamada "de
Lorena ", constituindo as "armas falantes"
do município. Como tenentes, à destra um bandeirante com
seu gibão de armas característico, armado de arcabuz e
à senestra, um soldado da guarda nacional da província
de São Paulo em 1842, cuja presença evoca a intervenção
vultosa de Lorena, na Revolução Liberal, dominada pelo
Barão de Caxias. No listão entrançado de hastes de cana,
a principal cultura do município, inscreve-se a divisa:
Pro Patriae Magnitudine (Pela maior grandeza da Pátria).
Sobre a porta central da coroa mural destaca-se um escudete,
com uma flor de lis a evocar que o orago de Lorena é Nossa
Senhora.
Extraído do livro "Brazões e Bandeiras do Brasil"
de Clóvis Ribeiro.
Composição de Affonso de E. Taunay - citação integral
Bandeira
Bandeira
de fundo vermelho, tendo ao centro sobrepostas, a flor
de lis (em primeiro plano) e a cruz de Lorena (em segundo
plano). As cores básicas no caso são a vermelha e a branca,
que simbolizam as cores da Casa
do Conde de Sarzedas, Bernardo José de Lorena, que na
qualidade de Capitão General de São Paulo outorgou à velha
Guaypacaré a graduação de Vila, com o nome de Lorena.
A flor de lis, em plano de absoluto destaque, evoca a
pureza da Padroeira de Lorena, Nossa Senhora da Piedade.
A cruz de Lorena em negro, representa a fé cristã do povo
lorenense, demonstrada no próprio pavilhão tricolor. Esta
bandeira foi adotada oficialmente pela Lei Municipal nº
507 de 09 de agosto de 1965. Porém somente na sessão da
Câmara Municipal de Lorena, no dia 14 de novembro de 1966,
foi oficialmente entregue ao município. Seu autor foi
Ricardo Gomes Figueira.
Hino
Música: Pe. Fausto Santa Catarina
Letra: Francisco Ferreira Leite
Gauypacaré da eras coloniais
Surgida no roteiro das "bandeiras"
Que escalaram sertões e cordilheiras
A demandar as minas cataguases.
Do Paraíba à margem, teus pioneiros
Erigiram à Virgem uma ermida,
E entre bênçãos a terra protegida
Na Vila Hepacaré fez suas bases.
(estribilho)
Oh! Terra das Palmeiras Imperiais,
Velho berço de Condes e Barões,
Ninguém de ti esquecerá jamais,
Ao reviver as tuas tradições!
Do solo teu que o escravo arou,
Brotaram verde-rubros cafezais,
E pelo Vale, imensos canaviais,
Do teu progresso indústrias se tornaram.
Os teus heróis que a história consagrou,
Batalharam por nobres ideais,
Na jornada imortal dos Liberais,
Intrépidos os filhos teus tombaram!
(estribilho)
Oh! Terra das Palmeiras Imperiais,...
Do teu passado, rico em tradições,
Cantamos no teu hino toda a glória,
Na exaltação da tua bela história,
A esta gente brava e varonil.
E contemplando as tuas gerações,
Oh! Lorena de outrora e do presente
Te confiamos nobre sonho ardente:
-O esplêndido futuro do Brasil!
(estribilho)
Oh! Terra das Palmeiras Imperiais,...